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Paixão violenta


Preocupar-se mais com o que se sente – em relação a nós e ao outro –, ao invés de usar a inteligência, é o caminho certo e direto para a ruína

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Do blog do bispo Renato Cardoso:

“O grande mal do ser humano é colocar os sentimentos antes da inteligência. As pessoas estão mais preocupadas com o que sentem do que com entender o que se passa com elas e no mundo ao seu redor. Por isso erram. Por isso se deprimem. Por isso se digladiam.”

E, por isso, também matam.

Sabemos de casos de assassinos frios, cruéis. O noticiário está coalhado de casos de homicídios violentos premeditados – não que haja homicídios não violentos, por mais discretos. Um assassino está bem longe de ser alguém que anda sob os preceitos de Deus. Não que Ele tenha deixado de ser Pai de uma pessoa assim, mas o que levamos em conta aqui é o que essa pessoa é e faz para estar em Deus de fato.

Também há mortes não premeditadas. Não planejadas. “Sem querer”. Nem por isso alguém deixou de morrer. O efeito é o mesmo. Quem nunca ouviu casos em que, movido pelo desequilíbrio emocional, uma pessoa tirou a vida de outra? Pior ainda: alguns tiram a vida de quem dizem... amar.

“Quem ama não mata”, diz o adágio popular. Mas quem é apaixonado, sim. O apaixonado crônico põe o sentimento na frente. Baseia-se na emoção. Quem tem a fé verdadeira, usa a cabeça antes do coração – veja bem: a frase diz antes, e não só.

Bons sentimentos, se a pessoa usa a cabeça, não causam mal. O problema é usá-los como muletas de um relacionamento. Assim, toda vez que um sentimento é abalado por uma briga mais forte, a relação cai. Às vezes, de uma lamentável e definitiva forma.




Deus, em Sua insuperável sapiência, estabeleceu uma inteligente estratégia. Fez com que nos concentrássemos em um pensamento de cada vez. Podemos até fazer várias coisas ao mesmo tempo – há pessoas que tiram isso de letra –, mas o pensamento (consciente) em si, o foco, se dá um de cada vez.



Voltando ao noticiário, ouvimos muito falar em crimes passionais – motivados por paixão. Uma pessoa pode deixar esse sentimento dominá-la, e cometer as maiores atrocidades justamente contra quem diz amar (e mente para si e para o outro ao usar esse verbo). Um somente “apaixonado”, no mau sentido da palavra, simplesmente é incapaz de priorizar as coisas corretamente. Bate o sentimento de posse. E essa posse acaba sendo maior, na cabeça desequilibrada de quem não usa a fé inteligente, a fé racional, do que o real amor.

Simplesmente não existe aquela coisa boba de “ser feliz a qualquer custo”.Felicidade não se compra com ações violentas, traições, destruição de relacionamentos alheios, desequilíbrio.

A felicidade é conquistada. Dia após dia.

Só que, depois de conquistá-la, ela precisa ser mantida. É mais ou menos como alguém construir um bonito edifício, com o que há de melhor e mais moderno, mas não cuidar de sua manutenção. Se não for devidamente cuidado, aquele bom material se estraga, racha, cai. Aqueles equipamentos de alta tecnologia pifam. Fazer foi fácil. Já manter de pé... E a manutenção de um prédio se faz todos os dias – inclusive usando seu espaço apropriadamente, não exigindo mais do que a estrutura pode dar, não danificando, vistoriando em busca de defeitos pequenos que podem se tornar grandes.

Se o construtor só fica admirando seu prédio, achando-o lindo, maravilhoso, orgulhoso da vistosa obra, deixa isso camuflar as rachaduras que aparecem e podem ser consertadas a tempo. Se não as conserta, daqui a pouco tudo vai abaixo. Se ele faz a devida manutenção, aí até pode, depois, admirar seu trabalho e sentir-se bem com isso.

Daí vem outro ditado popular: “Quem ama, cuida.”

E quem cuida, tem.

E cuidar, seja do que for, é uma ação que pede mãos, pode-se até usar o coração, mas requer, acima de tudo, cérebro. Só que devemos usá-lo à Luz dos preceitos de Deus. Só assim, fará diferença. Porque senão o coração novamente toma conta, e todo o esforço cai por terra.

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