Minha mãe ficava com ela enquanto eu tomava um banho rápido. Era minha mãe que penteava os meus cabelos e fazia tranças. Ela me perfumava e passava batom em minha boca. Dizia que quando a Julia acordasse deveria ver a mãe muito linda, como ela era.
Quando alguém da nossa família ficava doente, todos nós adoecíamos. Minha mãe sofria calada. Às vezes, ela aparecia com os olhos muito vermelhos, mas sempre sorrindo para mim, querendo me dar forças. Ela chorava pelos cantos, meu pai não fazia mais nenhuma piada.
Encontrei os dois no corredor chorando, um ao lado do outro de mãos dadas.
Voltei para o quarto e segurei a mão de minha filha. Pensei: “Se não tivesse me desviado de Deus... Se não tivesse desobedecido à Sua Palavra... Se não tivesse me casado errado... Se não tivesse passado tanto nervoso...Se não tivesse apanhado tanto... Não estaria aqui, fazendo meus pais sofrerem, nem meu bebê estaria sofrendo assim. Tudo minha culpa, por não dar ouvidos à voz de Deus.”
Deus sempre nos mostra o caminho, o que é certo e o que é errado, mas a gente só aprende quando cai no fundo do poço. Quando não tem mais forças para sobreviver, quando a gente não é mais gente, e sim um pedaço de nada, que não sabe o que fazer a não ser chorar.
Sentia-me a pessoa mais cruel do mundo, a pessoa mais nada que podia existir. Estava com tanta dor em minha alma que não conseguia nem chorar, minhas lágrimas haviam secado. A dor de ver um filho assim é tão grande que nosso coração não pode resistir.
Eu daria minha vida para ver a minha amada filha sair dali com vida.
19ª de um total de 33 crônicas.
Continua na próxima edição.
A história é fictícia e baseada em fatos do cotidiano.
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